Presidente Filipe Nyusi ladeado à direita pelo homólogo Ciryl Ramaphosa e pelo antigo Presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, e à esquerda por Graça Machel na celebração da tragédia de MbuziniMoçambique e África do Sul juntaram-se na terça-feira, 19 de Outubro corrente, em Mbuzini, província sul-africana de Mpumalanga, em mais um momento de reflexão colectiva sobre a tragédia que há 35 anos vitimou o primeiro Presidente moçambicano, Samora Machel, e parte da sua comitiva.
No evento, que teve lugar no memorial erguido às vítimas da queda do avião presidencial, os chefes do Estado moçambicano e sul-africano, Filipe Nyusi e Cyril Ramaphosa respectivamente, consideram Samora Machel, o primeiro Presidente de Moçambique independente, um herói universal, que tinha como motivação a busca da paz, irmandade e desenvolvimento, particularmente na região da Africa Austral.
O Presidente Nyusi vincou que a heroicidade do Samora Machel evidenciou-se quando decidiu apoiar o povo oprimido da Rodesia do Sul, actual Zimbabwe, enfrentou o regime racista do Ian Smith e ajudou o povo sul-africano na luta contra o apartheid e apoiou ainda a Tanzânia a repelir o regime do ditador ugandês Idi Amin Dada, bem como abriu as fronteiras para receber refugiados do Chile, Argentina e Timor Leste.
Saudou o Governo sul-africano e todos os outros povos que acompanham Moçambique na marcha para a preservação da memória viva de Samora Machel. Agradeceu ainda o Executivo da África do Sul, pelo acolhimento, apoio e entrega na realização da cerimónia, com glória, dignidade e solenidade que Machel muito bem merece.
Por sua vez, o Presidente Cyril Ramaphosa, disse que a homenagem anualmente feita pelo povo e governo sul-africano, no memorial para as vítimas da tragédia de Mbuzine, revela a importância que o seu país atribui ao sacrifício feito por Samora Machel na libertação daquele país do regime do apartheid, bem como a sua contribuição para a paz na África Austral.
Na ocasião, a família Machel manifestou o desejo de que o monumento erguido em homenagem aos mártires de Mbuzini, na África do Sul, seja transformado, devendo ter sala de conferências e poder acolher académicos que queiram estudar a tragédia de Mbuzini e beber do ideal de liberdade que Samora Machel tanto defendeu.
Em resposta, os presidentes Nyusi e Ramaphosa, asseguraram que este desejo será concretizado e o assunto será discutido no nosso próximo encontro bilateral, pois entendem que é uma forma de valorizar o grande legado de Samora Machel e torná-lo mais conhecido sobretudo pelas novas gerações. (UCI)